O que me impede de morrer são dois pontinhos e um ponto final disposto na horizontal que forma o infinito das afirmações conexas e também as desconexas.
O que me impede de me matar é o objetivo; que muito justo, aliás; e o que, ou melhor, se alguém vai se lembrar de mim.
Como assim?
Duas situações distintas que formam a ilucidez da minha mente:
1º) Se alguém não vai se lembrar de mim! Se isso acontecer, tudo vai estar ótimo. Posso morrer tranqüilo e ser enterrado a 14 palmos abaixo da terra. Isso mesmo! Duas vezes o normal que é para ter certeza que não vou ter como subir mesmo.
2º) Se alguém vai se lembrar de mim! Ai na dá! Quero passar por essa terra sem ser lembrado para não causar dor para ninguém, por que não há motivo para alguém, por menor que seja se lembrar de uma pessoa igualzinho eu. Passar se ser visto! Falar sem ser ouvido! Gritar sem ser escutado! A idéia principal daquilo que ninguém pode ter alguma lembrança (boa ou má) de alguém que não passa de um amontoado de átomos sem qualquer serventia!
É isso si! Vamos celebrar a morte sem dar a mínima para vida! Tudo passa! Isso é o que importa para mim! Alguém que vive sustentado pela infelicidade de saber que algum dia o sangue vai faltar, e que nem todo o ar do mundo poderá entrar nesses pulmões!
Como diz a Pitty num refrão da musica dela, eu estou quase saindo pela “saída de Emergência”, exercitando a paciência tentando achar que tudo isso é normal!