Meu céu é escuro sem ser a noite
As estrelas caíram desprendendo do céu que as suportava
A nebulosidade é a única coisa que sobrou das cinzas
Onde o espírito é a única coisa que sobrou
Dormindo num lugar frio
Meu castelo de gelo!
Sem respirar para não poder sentir o cheiro de sangue

Sem sentir para poder esconder minha dor
Sem ouvir para não sucumbir a vontade dos fantasmas que me sussurram
Sem um coração a pulsar para não sangrar mais
A alma que vaga pela face do mar
A ouvir as ondas se chocarem nos rochedos
Águas que refletem as ruínas do castelo dos sonhos
Que desmoronaram com os pesadelos
Sem saber que os pesadelos era o terremoto
As ondas sísmicas da realidade.
Sem uma alma para chorar por ela
Sem um espírito açodado que sonhas dormindo em algum lugar
Sem uma consciência para me acusar
Sem uma casa para me lembrar
Afundando nas mágoas a mim condenadas
Onde o que sobra é os flocos de neve que planam
Até finalmente encontrarem seu repouso na face desse lago em que afundo
Essa face fria que acaricia minha pele
Enquanto eu não encontro o fundo.
Perdido sem minhas estrelas para me guiar
O luar varre a terra mas não possui sua luz
O que há é a escuridão daquilo que me tornei
Sem minhas estrelas para me guiar
Oh! Minhas estrelas que caíram do céu sem poder me mostrar meu caminho!
Vivo por fora
Morto por dentro
Resistente por fora
Quebrado por dentro
Vivo somente na aparência
Sentimentos e aquilo que sou... Simplesmente morto!
