Meu céu é escuro sem ser a noite As estrelas caíram desprendendo do céu que as suportava A nebulosidade é a única coisa que sobrou das cinzas Onde o espírito é a única coisa que sobrou Dormindo num lugar frio Meu castelo de gelo!
Sem respirar para não poder sentir o cheiro de sangue Sem sentir para poder esconder minha dor Sem ouvir para não sucumbir a vontade dos fantasmas que me sussurram Sem um coração a pulsar para não sangrar mais
A alma que vaga pela face do mar A ouvir as ondas se chocarem nos rochedos Águas que refletem as ruínas do castelo dos sonhos Que desmoronaram com os pesadelos Sem saber que os pesadelos era o terremoto As ondas sísmicas da realidade.
Sem uma alma para chorar por ela Sem um espírito açodado que sonhas dormindo em algum lugar Sem uma consciência para me acusar Sem uma casa para me lembrar
Afundando nas mágoas a mim condenadas Onde o que sobra é os flocos de neve que planam Até finalmente encontrarem seu repouso na face desse lago em que afundo Essa face fria que acaricia minha pele Enquanto eu não encontro o fundo.
Perdido sem minhas estrelas para me guiar O luar varre a terra mas não possui sua luz O que há é a escuridão daquilo que me tornei Sem minhas estrelas para me guiar Oh! Minhas estrelas que caíram do céu sem poder me mostrar meu caminho!
Vivo por fora Morto por dentro Resistente por fora Quebrado por dentro Vivo somente na aparência Sentimentos e aquilo que sou... Simplesmente morto!
O que me impede de morrer são dois pontinhos e um ponto final disposto na horizontal que forma o infinito das afirmações conexas e também as desconexas.
O que me impede de me matar é o objetivo; que muito justo, aliás; e o que, ou melhor, se alguém vai se lembrar de mim.
Como assim?
Duas situações distintas que formam a ilucidez da minha mente:
1º) Se alguém não vai se lembrar de mim! Se isso acontecer, tudo vai estar ótimo. Posso morrer tranqüilo e ser enterrado a 14 palmos abaixo da terra. Isso mesmo! Duas vezes o normal que é para ter certeza que não vou ter como subir mesmo.
2º) Se alguém vai se lembrar de mim! Ai na dá! Quero passar por essa terra sem ser lembrado para não causar dor para ninguém, por que não há motivo para alguém, por menor que seja se lembrar de uma pessoa igualzinho eu. Passar se ser visto! Falar sem ser ouvido! Gritar sem ser escutado! A idéia principal daquilo que ninguém pode ter alguma lembrança (boa ou má) de alguém que não passa de um amontoado de átomos sem qualquer serventia!
É isso si! Vamos celebrar a morte sem dar a mínima para vida! Tudo passa! Isso é o que importa para mim! Alguém que vive sustentado pela infelicidade de saber que algum dia o sangue vai faltar, e que nem todo o ar do mundo poderá entrar nesses pulmões!
Como diz a Pitty num refrão da musica dela, eu estou quase saindo pela “saída de Emergência”, exercitando a paciência tentando achar que tudo isso é normal!
Abro os olhos e vejo Que o mundo que eu acreditava Se foi nas ruínas do tempo Minha alma grita Afundando no abismo Gritando por socorro Mas quem me salvará?
Será que não me vira a salvação? Cadê a minha proteção?
Gritando, iludindo, sangrando Mas ate quando minha voz ecoara? Minha ilusão permanecera? E as gotas de meu sangue se derramarão? Mas não há quem me salve O mundo não é perfeito Meu mundo não é perfeito
Não me vira a salvação? Onde está minha salvação?
Pessoas passam e me ignoram Na hipocrisia falam em perfeição Minhas ruas tortas Não me levam em nada Mas o mar sangrento me engole Vivo a mentira A mentira vive por mim Vivemos na sincronia social Meu mundo não é perfeito Olá bem vindo ao meu mundo Meu mundo que não é perfeito
Não me vira a salvação? Cadê minha proteção?
Minha voz cessa Minhas lágrimas já param de escorrer Minha força desaparece O meu fim agora chegou Estou morrendo Morrendo no meu mundo Debaixo das ruínas da minha própria falsidade Estou morrendo Morrendo eternamente.
Como eu adoro quando chove a noite, principalmente quando chove ao entardecer. É aquela sensação gostosa de que tudo está indo com a chuva. Suas preocupações, suas imagens, seus domínios, suas cadeias, tudo aquilo que te prende na indecisão. È na chuva que conhecemos o interior da calma e a libertação da alma.
Ouvir os respingos que muitas vezes nos contam histórias de um mundo desconhecido. O choque entre o chão e a água que vem do céu. As guardiãs dos segredos dos céus. A benção que limpa o ar, e depois nos dá a sensação de um mundo limpo e perfeito, tal que ninguém mais pode mudar. A cada pingo que chega a terra sua história.
Sentir o cheiro inebriante que emana da terra ao receber de braços abertos o liquido que cai do azul infinito, parecendo que as estrelas virão juntas. Aquele cheiro que desprende você da realidade a levando a um mundo além daquilo que a compreensão humana pode entender. Nos leva a dimensão da paz, mesmo que o redor seja feito de vales, montanhas, furacões e tempestades violenta.
Sentir aquela chuva fina, calma. Os fatores abióticos que criam vida e brincam nas mentes das pessoas. Sentir aqueles respingos na face acariciando e levando consigo todos os instintos de falsidade, as mascaras que cobrem os rostos das pessoas.
Realmente, a chuva é um dom divino. Por isso, a cada vez que cair uma chuva, devemos nos lembrar simplesmente de fechar os olhos, e simplesmente ouvir.....